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sexta-feira, 3 de abril de 2015

[Naluh] Parto de Lótus

Andei sumida. Fiquei bastante xoxa quando a Bá ficou internada, perdi bastante do tesão do blog nesse período. Por outro lado, esses últimos três meses foram bastante estressantes aqui em casa. Muitas dúvidas rondaram nossas cabeças e isso incluiu a decisão de ter ou não um bebê. Foi um momento bastante difícil, que estamos trabalhando para superar. Todo esse estresse deixou minha ovulação instável e ainda estou tentando colocar isso em ordem.

A questão é que, com o perdão do trocadilho, o plano de ter um bebê não foi abortado.

Outro dia, no facebook uma amiga linda que está gestante de quase 40 semanas me marcou num post sobre o Parto de Lótus. Dei uma olhada nos comentários, e não vi nada demais, apenas uma moça perguntando se seria necessário carregar bebê + placenta por três dias e como a resposta que deram a ela também foi equivocada, resolvi escrever esse texto e trazer uma síntese do Parto de Lótus.

Algumas mulheres que optam por esses métodos diferentes, muitas vezes são chamadas de loucas, hippies, irresponsáveis e etc. Infelizmente vivemos numa cultura onde o artificial é sempre preferível ao natural. Que pena.

Mas sim, muito provavelmente sou louca, certamente hippie, mas irresponsabilidade é uma coisa que passa longe. Somos loucas por ousar viver e pensar fora da caixinha. Isso muitas vezes provoca o isolamento e a sensação de não pertencer a esse mundo. Somos hippies por que acreditamos que a natureza nos fornece aquilo que precisamos. Que podemos parir em nossas casas, que devemos respeitar o sagrado momento do nascimento e que a placenta, que foi que nutriu nosso bebê dentro do nosso corpo, foi "mãe" dele antes de nós sermos. A placenta e o bebê possuem uma conexão que consideramos mais que saudável, sagrada. Algumas dessas hippies-loucas, esperam parar de pulsar para, aí sim, cortar o cordão. Outras acreditam que devem deixar o cordão secar ainda ligado ao bebê e à placenta e deixar desprender naturalmente. Algumas optam por descartar a placenta fresca. Outros por desidratar, encapsular e consumir. Mas nenhuma dessas mulheres faz essas coisas desconsiderando riscos, sejam à elas ou ao bebê. Nenhuma delas faz por gostar pouco de seus bebês. Isso tudo faz parte do extremamente controverso direito de decidir o que é melhor para si e para seus rebentos. Gostando ou não, concordando ou não, a única coisa que podemos fazer é respeitar.

Vamos ao Parto de Lótus!

Créditos da imagem: http://www.homeinthehive.org/2013/08/lunas-lotus-birth.html#.VR9I-PnF-X8
À propósito, leiam esse artigo, pq é super.

Imagina que louco se quando seu bebê nascesse, ao invés de você (ou o médico, ou o pai) cortar a circulação do sangue entre a placenta e o bebê para cortar o cordão e jogar a placenta fora, você mantivesse a placenta ligada através do cordão ao bebê por cerca de três dias, ou seja, até o cordão secar e cair naturalmente, sem cotoco?Alguma das minhas fontes disse que foram umas hippies-loucas-iogues que começaram a difundir a prática nos anos 80, mas que a mesma encontrar eco nas práticas indígenas (dessa parte eu não tenho certeza).

Pois é. Esse é o parto de lótus.

Pergunta #1: POR QUE CARGAS D'ÁGUA?

Antes de tudo é necessário explicar que o parto de lótus aparece como uma prática de inspiração filosófica-religiosa. Acredita-se que uma criança que não passa pelo trauma do corte precoce do cordão umbilical é uma criança mais tranquila, mas "inteira". O principal vínculo que possuía até nascer não é cortado grosseiramente, e sim desfeito naturalmente. Pode parecer bizarro, mas na vedade faz muito sentido se parar para analisar o fato de que o coto de cordão, cortado precocemente (da forma como é feito nos hospitais) leva cerca de 9 dias para cair, o coto de cordão que esperou o cessar das pulsações leva cerca de 7 dias para cair e o cordão não cortado se separa do bebê em cerca de 3 dias. Faz muito sentido.

Esse é o diferencial. O bebê nasce, mas seus vínculos prévios não são cortados à força. Espera-se o tempo deles de se separar. Os benefícios físicos não são diferentes daqueles cordões que são cortados após o fim das pulsações:

1. Transfusão completa do sangue da placenta para o bebê (o que alguns especialistas afirmam que pode evitar a anemia em recém-nascidos);

2. Vitamina K direto da placenta, toda a vitamina K da placenta (o que alguns especialistas dizem que elimina a necessidade de vitamina K extra aplicada pelos médicos; outros especialistas dizem que só reduz, eu acredito nos primeiros especialistas);

3. O bebê recebe mais células-tronco;

4. O bebê tem a imunidade aumentada, porque recebe mais células de defesa da placenta;

5. Não tem o risco do coto infeccionar, porque não tem coto.

Benefícios psicológicos?

1. Estimula a mãe a sossegar o facho, uma vez que andar pra lá e pra cá significa carregar bebê + placenta;

2. E por isso, estimula o vínculo entre a mamãe e o bebê¹.

Dito isso, vem a segunda pergunta: MAS E A PLACENTA? VAI APODRECER, NÃO?

Se você deixar ela lá, de boas, sim. Se você tentar dar banho com sabonete e amamentar a placenta, sim. Por isso, é importante distinguir os cuidados que você deve ter com a placenta e os cuidados que você vai ter com o bebê. Os que você vai ter com o bebê é basicamente, manter limpo, manter alimentado, manter confortável. Ok?

Já a placenta, você vai precisar manter limpa e seca (sim, é bom lavar, pq né?, ela vai estar cheia de sangue, mas não precisa usar sabonete neutro). O que eu já vi no YT foi gente usando toalhas absorventes (tipo tapete descartável pra xixi de cachorro e gato dodói) para tirar o excesso de umidade e colocando camadas de sal marinho e alecrim na placenta uma vez por dia, durante a higienzação, depois enrolando em uma toalha absorvente nova, num lenço de seda e ta-dá! Já li gente dizendo que só começa a ter um cheiro almiscarado no segundo ou terceiro dia, mas aí o cordão cai e você não precisa mais vestir a placenta pra festa².

Pergunta #3: O QUE QUE EU FAÇO COM A PLACENTA DEPOIS?

A parte fofa: você pode plantar numa árvore frutífera! Olha que lindo! Uma árvore que vai nascer praticamente junto com seu bebê. <3 Eu acho essa ideia linda!!

Oooou você pode jogar fora, enterrar, cremar e colocar as cinzas num relicário (ou jogar as cinzas em algum lugar diferente), aproveitar que já está no sal há três dias, acender a churrasqueira e... :P

Essa mamãe aqui fez uma farofa. hahaha Menira, é sal, ervas e pedras (tumalina)
Créditos da imagem: http://www.unfoldinglotus.com/lotus-birth.html

Brincadeiras à parte, espero que tenham gostado da minha explicação do parto de lótus. Eu acho muito bonito, embora um pouco anti-prático. MAS TAMBÉM QUEM FOI QUE DISSE QUE TUDO TEM QUE SER PRÁTICO? Tem que ser bom, principalmente pro bebê.

Aqui embaixo vou colocar o link de um vídeo do YT onde uma moça mostra fotos e vídeo de como cuidou das 3 placentas que ela pariu e como ficou o umbiguinho dos três filhotes dela. É em inglês, mas as imagens falam por si. Beijo.



__________________________
¹ Esses itens são do site http://vilamamifera.com/mulheresempoderadas/parto-de-lotus-voce-ja-pensou-sobre-isso/
² http://www.foxnews.com/health/2013/04/11/lotus-birth-trend-keeps-umbilical-cord-and-placenta-attached-to-baby-for-days/#ixzz2QBLBk9Ih


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

[Naluh] Desculpa aí o sumiço...

Boa tarde a todos! ;)

Na semana tivemos um hiato nas publicações por conta de dois fatores. O primeiro foi a chuva forte que caiu em São Gonçalo e que trouxe problemas para a estrutura da minha casa, incluindo a internet que ficou off por dois dias inteiros.

O outro fator é que a nossa querida Fátima teve um problema de saúde por conta do Lúpus e vai ficar offline por cerca de um mês. Quando ela retornar, que esperamos que seja em breve, atualizará a todos com mais informações.

Devo admitir que, por conta dessa situação com nossa querida Fátima eu fiquei bastante desanimada de postar... Farei um esforço pra vir aqui e trazer coisas legais a todos.

Quero aproveitar para começar uma tradição e parabenizar as mais novas futuras mamães do nosso círculo de amizade e das nossas leitoras! Dessa forma, todo amor, carinho e beijos para Kíssia que acabou de descobrir que será mamãe, está muito feliz no auge das suas 5 semanas de gestação! Tudo de lindo na sua vida e do seu bebê, Kiki!!
<3

Até a próxima!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

[Naluh] Das coisas que acontecem quando você publiciza suas tentativa de engravidar

Hoje aconteceu um negócio engraçado. Meu marido, conversando com um amigo deixou escapar detalhes íntimos sobre a minha não gravidez e sobre quando posso tentar de novo. haha Eu ri, porque realmente achei engraçado, porque sei que é um amigo muito querido, uma pessoa simples, bacana e que está torcendo por nós. A situação é quase constrangedora, mas eu levei de boas.

Então me lembrei da quantidade de pessoas que sabiam que estávamos esperando um positivo esse mês e que ficaram esperando notícias. É uma lista considerável. Nessa lista tem pelo menos 3 pessoas que tinham CERTEZA de que eu tinha conseguido (uma amiga até me disse que eu estava com cara de grávida). Eu não levei a sério a certeza alheia, porque sabia que sem um positivo de exame, eu não estava grávida, mas uma dessas pessoas me deixou muito balançada, e é muito por ela que eu acredito que o embrião não conseguiu desenvolver, mas que houve fecundação e implantação: minha avó de 92 anos de idade. Ela disse que eu estava grávida e eu tinha acabado de tentar. Ela está começando a perder a lucidez, mas adivinhou que estávamos tentando, e mais do que isso: sentenciou que eu estava grávida quando a porra ainda estava fresca. haha Eu nem discuti (ela engravidou 13 vezes, sabe das coisas haha). Às vezes ela esquecia disso, então quando minha mãe avisou a ela que minha menstruação havia descido, ela deu um salto e perguntou: "Ela abortou?!" hahaha Tadinha... Minha mãe explicou que a menstruação havia descido, mas não sei como ela assimilou, rs.

Isso sem contar chefe, colegas de trabalho, parentes em geral, melhores amigas, familiares das melhores amigas, amigos das melhores amigas, pessoas importantes da faculdade, leitores de um blog... hahaha

Mas quer saber? Não faria nada diferente. Uma pessoa ansiosa sofre demais guardando isso só pra si. Não me arrependo. E se hoje faço menos estardalhaço não é pelos outros e sim porque quero esquecer que estou tentando (que não tá funcionando muito), e porque acho que ainda não será esse mês. Não sei, alguma coisa me diz.

Então, para os que participam dessa saga, façam as contas. Sim, passou-se o tempo de um ciclo... Preciso ser mais explícita? Não, né... haha

Até mais!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

[Naluh] Yoga como preparação para gestação

É preciso que vocês saibam algumas coisas a meu respeito:

  1. Eu sou taurina e portanto comilona e preguiçosa - e isso me rendeu algumas gordurinhas em locais que tendem a ter gordurinhas...
  2. Eu sou uma pessoa noturna e a vida só começa pra mim depois das 10h. Acordar cedo pra mim, aquele cedo saudável, é as 8h. Antes disso é purgatório e meu dia todo se desenrola like hell.
  3. Eu não curto atividades físicas em geral. O que mais curti até hoje foi corrida e a yoga.
  4. Eu sou muito indisciplinada - por exemplo, só tomei uns 5 comprimidos da cartela do ácido fólico...
Partindo dessas informações, não é dificil concluir que meu planejamento para estar em boa forma para a gestação é um failure total, não é? POIS É.

A meu favor tenho o fato de que depois que eu vi um vídeo da Coca-cola sendo fervida e virando uma calda preta, toda vez que bebo, sinto o sabor super-ultra-mega ativo do açúcar e ela já não me satisfaz mais. Tenho bebido, portanto, litros e litros de água nesse verão, o que é maravilhótimo. 

Eu realmente queria não perder meu corpo depois da gestação, porque eu posso estar gordinha, mas eu me acho gostosa do tipo mulher-real-gostosa. E, por mais besta que isso possa parecer, grande parte da minha auto-estima vem do formato do meu corpo. Sempre tem coisas que a gente queria melhorar e talz, mas eu gosto dele e, pelos meus estudos, se eu quiser voltar rápido ao meu corpo de antes da gravidez, preciso amamentar e ter uma prática regular de exercícios anterior à gravidez.

Esse não é muito o momento para corrida na minha vida. A ideia de sair pra correr e voltar assada do sol não está nos meus planos. Tentei fazer caminhada com uma grande amiga, mas só fui uma vez (eu vou encontrar as forças, Nats. Prometo)... Passamos menos de uma hora caminhando e mais de 3 conversando, sentadas, confortavelmente num banquinho da Reitoria da UFF... A nosso favor, não havia cerveja no encontro.

Por fim, há muitos anos venho paquerando a yoga. Uma grande responsável por isso é a bailarina de Tribal Fusion Rachel Brice que é praticante há muitos anos e faz coisas incríveis enquanto dança. Em adição, eu sou uma pessoa ansiosa cuja mente está sempre falando. Eu falo alto e sou nervosa. Rôo unhas e tenho dificuldades para dormir periodicamente. Sempre tive grande consciência do quanto a prática de yoga pode me ajudar, e para completar, nunca vi um yogi gordo. Na verdade, esses dias encontrei uma mulher, mas foi a única além de Buddha...

Sempre brinco que yoga é o exercício perfeito pra mim porque posso fazer sentada e quase não se mexe. É uma piada. As pessoas riem. Não sei se porque elas não conhecem a yoga e por isso faz sentido, ou se porque elas conhecem a yoga e tem pena de mim... 

O fato é que eu tenho tentado, desde o início desse mês (e ano), fazer algumas coisas de yoga. Escolhi o Ashtanga Vinyasa por ser umas sequências fixas e não muito longas. Fiz umas cinco vezes só e, embora isso pareça ruim, é bom, é ótimo! Espero estar mais equilibrada emocionalmente e fisicamente até o fim do mês, de forma que eu possa continuar fazendo quando embarrigar.

Aém disso, leiam aqui e aqui os benefícios de se fazer yoga durante a gestação!

Aqui o vídeo que estou usando:




Espero que gostem!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

[Naluh] Sobre a família que largou tudo e foi viver como humanos no meio do mato

ou "O dia em que Naluh chorou com uma dorzinha no peito por ter tantas coisas que quer fazer no mundo-muderno-civilizado-acadêmico ao mesmo tempo em que quer largar tudo e ir viver numa comunidade alternativa autosustentável no meio da Chapada dos Veadeiros bem perto de Alto Paraíso"

Oi, aqui é a Naluh numa edição extraordinária do Materna Ísis, rs.

Recentemente, num dia desses de janeiro, apareceu na minha timeline do Facebook uma reportagem do blog Nômades Digitais, dessas que marca nossa vida pra sempre. Era a história de uma família brasileira que decidiu largar a vida em Lagoa Santa, Minass Geraiss, e foi viver no meio do mato da Chapada Diamantina, na Bahia, uma vida linda, simples, onde viver mais importante do que o que a gente tem na vida, como se vive, como não se vive, como se ganha a vida, quem você é no mundo.

Gente, como aquilo doeu no meu coração. Mas uma dor boa. Ao mesmo tempo ruim. Mas boa. Não posso dizer que foi invejinha. Posso dizer que tocou numa necessidade da minha alma. Me comoveu dolorosamente. Não sei explicar.

Eles levaram o pequeno Tomé no colo e a Nina no bucho, pra viver uma vida linda, saudável e sem as neuroses com o capitalismo.

Foto: Manu Mello Franco, retirada do site Nômades Digitais

Há algum tempo eu venho trabalhando em mim tantas coisas, valorizando as coisas que realmente importam... Eu não preciso de tudo o que eu tenho, eu não preciso de tudo aquilo que me fizeram crer que eu precisava, eu não preciso ter tudo aquilo que por ventura em algum momento eu quis. Do que eu preciso então? De agradecer por ter uma casa, mesmo que ela nunca tenha sido terminada. Agradecer por ter roupas, mesmo que vira e mexe alguma dê uma manchadinha, tenha um fiozinho puxado e por precisar lavar com alguma frequencia para ter o que vestir... Agraceder por ter o que comer e o que beber quando preciso (rs). Preciso mesmo é olhar pro mundo e enxergar o que realmente importa! E o que importa é o amor, é viver, ser grato, se amar, cuidar de si próprio. Amar e cuidar das pessoas que nos são caras, com quem a gente se importa. É preciso tão pouco pra gente ser feliz de verdade! Eu mesma fui criada com tão pouco e fui uma criança tão feliz! Depois vem aquela enxurrada de falsas necessidades que faz a gente sentir que precisa de mais do que tem. Tudo fake.

Um dos meus mais caros projetos é uma casinha de madeira, construída pelas minhas mãos e as de meu marido, bem pequenininha, numa cidadezinha mais afastada - todavia perto o bastante da metrópole pois não quero largar a acadimia. Lá dentro da casinha, apenas o essencial. É nessa casinha é que planejo criar meu futuro rebento. Num quintal gramado, pra fazer acampamento de noite, com árvore de fruta pra pegar e comer ali mesmo, sem lavar. Pra ler na sombra da árvore, em voz alta. Pra correr pra chuva depois de um dia quente como os que temos vivido no Rio de Janeiro e depois correr pra casa, tomar uma chuveirada, colocar uma roupa limpinha e comer bolinho de chuva, feliz.

Não é tão radical quanto o que essa família fez, mas é bastante intenso pra mim. Quero ensinar valores pro meu bebê que permitam que ele seja feliz com muito ou com pouco. Quero proporcionar uma infância que ele vai lembrar com amor a vida inteira e que vai desejar proporcionar pra seu próprio filho um dia.

Algumas imagens do instagram da Manu, me remetem ao tipo de vida que eu quero viver/oferecer pro meu rebento, e elas estão aqui pra baixo... Espero que inspire...


Uma foto publicada por Free yourself🎈 (@manumelofranco) em




Querendo saber da história deles, contada pela Manu, é só ir no blog deles, Notas sobre uma escolha. Boa noite a todos. :)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

[Naluh] Para seguir em frente

Olá! Quero dar as boas-vindas, antes de tudo, ao grupo de estudos astrológicos que acompanhará este blog como parte de seus estudos, comparando as nossas postagens com o nosso mapa natal. Sejam bem-vindos!

Agora sim. :) Eu posso estar soando repetitiva, mas peço que me perdoem. Esse blog, antes de qualquer coisa, é um espaço onde possamos fazer a catarse de nossas emoções durante o processo de tentativas para engravidar e, no caso da Fátima, o processo de aprender a ser mãe.

Meu corpo eliminou meu embrião no início da 5ª semana de gestação. Eu não cheguei a ter um positivo, mas pensando e revendo as coisas que vivenciei, eu tive, definitivamente, os sintomas certos, e eles eram reais. Poucos dias antes da menstruação descer, com 7 dias completos de atraso, os sintomas desapareceram. Eu sabia que algo havia mudado, mas não sabia o que era. Era meu embrião que não desenvolveu.

Eu tive dor de cabeça, sensibilidade nos mamilos, aumento no apetite, sensibilidade emocional, atraso menstrual, muito sono, leves náuseas à noite, intestino preso e aumento de gases. Esses sintomas se apresentaram por cerca de 13 dias. Então, um por um, foram embora. No dia 16 de janeiro, minha menstruação desceu arrasante, com cólicas de brinde. Passei um dia difícil, triste. A cólica era a consciência da expectativa frustrada. A cada vez que sentia as cólicas, eu me lembrava de que não consegui.

Antes de ir para o trabalho, fiz uma sequência de yoga e senti que as emoções vieram para a flor da pele. Passei o dia com o choro preso. Fui pra praia com meu marido e meu irmão depois do trabalho, me banhei no mar, apreciei muito a paisagem, deixei as águas eternas fazerem seu trabalho de limpeza e restauração. De fato, minhas cólicas desapareceram enquanto estive no mar. As marés se sincronizam: as minhas com as do mar, minhas águas se acalmam. Foi lindo. Deixei a praia depois do por do sol, meio obliterado pelas nuvens de uma chuva que ameaça chegar e não chega nunca,  e marchei rumo à minha casa. Aqui, na cama, antes de dormir, chorei um pouquinho, baixinho.

Passei o final de semana me recuperando, me restaurando emocionalmente para seguir em frente. Com a consciência de que muita coisa precisa mudar, eu preciso mudar. A ansiedade não pode estar presente se eu quiser que isso funcione, e eu quero. Muito. Não sei se vou conseguir tão rápido, mas eu vou desacelerar e mais importante, não vou parar de tentar engravidar até que isso aconteça. Vou, ao contrário, construir minha mudança.

Eu não tomo remédios para a ansiedade, pra quase nada, na verdade. O máximo foram uns fitoterápicos para dormir num período muito difícil, há 2 anos. Entretanto, eu vou do 0 ao 100 na escala da ansiedade em segundos, e na da irritação, e na da raiva. Vivenciei cada uma dessas sensações na marca de intensidade 90/100, durante os 13 dias de fecundação/implantação. Em geral, com exceção da ansiedade, são sentimentos autocombustíveis: se consomem na mesma chama na qual nasceram. Mas a ansiedade não, essa danada. Ela fica aqui, disfarçada, espreitando, passeando sorrateira, me provocando azia. Ao menor motivo ela faz "TAH DAH" na minha frente e isso repercute no corpo inteiro.

É como uma caixinha dessas daqui do lado, amarrada em você. Você carrega com cuidado porque sabe o que tem dentro da caixa e não quer que ela abra, FAZ-DE-TUDO pra ela ficar fechada, e de repente dá um mole: a caixa abre e a ansiedade salta de dentro, tal qual o palhaço.

Como lidar, então?

O primeiro passo, a yoga. Sou autodidata, pratico na minha sala com vídeos do youtube. Procurem por "yoga aula iniciantes".

Segundo passo, tirar o aplicativo para controle do ciclo menstrual da tela inicial do celular. Eu sei que não vou esquecer do meu período fértil, eu acho. Principalmente porque tenho mittelschmertz, mas eu vou tentar. É preciso

Terceiro passo, passear bastante. Preciso de endorfina, de dopamina, de serotonina e ocitocina e a melhor forma de conseguir é promovendo a felicidade. Vou apostar em praias e no mar.

Quarto passo, namorar como se não houvesse amanhã. Se eu quero engravidar, não preciso evitar. Se eu não preciso evitar, então vamos acabar com a paranoia de período fértil. Todo dia, a qualquer hora é hora de ser feliz.

Quinto passo: dar uma pausa nas postagens no estilo diário das tentativas. Quando tiver necessidade de transbordar por aqui, eu farei. Mas meu esforço agora será para esquecer que sou tentante. No blog, vou publicar conteúdo no tema, mas não pessoais até que saia um positivo. Espero que compreendam.

Até depois de amanhã!
Beijos


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

[Naluh] Não foi dessa vez, ou “Não estou grávida”

É apenas uma piada, relaxem, eu não tô nessa vibe aqui não...
Imagem: www.freedigitalphotos.net

Apesar dos esforços, haha, não foi nesse mês que o embrião conseguiu se fixar na parede do útero. Fizemos tudo certinho, mas não aconteceu. Agora eu tenho um tempinho a mais para continuar no ácido fólico (que na verdade eu acabo esquecendo de tomar) e para as atividades físicas que só comecei nos últimos dias de dezembro (forma muito irregular).

Fiquei atrasada por 7 dias completos (um recorde na história dos meus atrasos, indeed), tive sonhos de grávida, fiquei mais sensível emocionalmente... Sonhei que perdia muito sangue, sonhei um monte de coisa, mas acabou que era apenas a ansiedade. Se a M não tivesse descido, eu faria o Beta hCG em uma semana, mas estou aliviada que ela desceu. A pior parte pra mim era a indefinição. Mas, sim, foi estranho ter a certeza de que os negativos da farmácia estavam certos, de que eu não estou grávida.

De algum modo, eu sabia. Não conseguia me imaginar com a barriga grande ou com o bebê no colo. Apenas com muito esforço e ainda assim, muito vagamente. Mas eu desejava estar, eu esperava que estivesse.

Enfim, não sei se vou tentar de novo esse mês, criar um filho escorpiano é muito barra pesada pra uma taurina, rs... Mas talvez eu tente. Dessa vez vou seguir o conselho da Bá (Fátima) e desencanar de período fértil, e encher o potinho como se não houvesse amanhã. Como sou uma pessoa ansiosa estou realmente preocupada de isso atrapalhar o processo.

A parte engraçada nisso tudo foi avisar azamiga no whatsapp “not pregnant”, “a monstra desceu, sem bebê aqui”... hahaha

Hayla, minha filha (enteada), você ainda reina absoluta no coração de papai. A corregência ainda demora mais um pouquinho. haha

Deseje-nos sorte!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

[Naluh] A pior parte é a espera pra saber se é positivo ou negativo

Imagem: http://emagrecerrapido.info/dieta-radical-%E2%80%93-10-kg-em-14-dias/

Bom dia a todos...

Eu gostaria de estar postando hoje uma comemoração ao meu positivo, mas ainda não consegui um positivo. Acreditei no teste de farmácia que dizia que já detectava no primeiro dia de atraso e tudo o que consegui foram três negativos.

Entretanto, continuo atrasada, estou no 6º dia de atraso e, segundo o laboratório e a mãe da Fátima, é melhor esperar 15 dias para fazer o exame.

Fiz meu primeiro teste no sábado, e deixei a urina passar da linha limite. Resultado, negativo. Quase morri de ansiedade. Não conseguia acreditar que tinha dado tamanho mole. Eu consegui conter a ansiedade por 14 dias (depois do dia da ovulação) e no dia do teste eu consigo estragar o teste. Quase morri. rs. Foi uma manhã difícil. Fui na rua e comprei mais dois testes. Um eu fiz assim que comprei, por volta das 11 horas. Resultado: negativo. O outro decidi que faria na terça-feira, dia 13 (ontem). Fiz tudo certinho, resultado: negativo.

Naquela manhã liguei para trocentos laboratórios de Niterói. Os preços do beta HCG, os mais variados. De 26 a SESSENTA REAIS!! E o melhor: R$60,00 pra não entregar o resultado no mesmo dia! Gente!!

Estava desde cedo pertubando a Nats e a Fátima no Whatsapp (sofredoras...) e a Fátima me sugeriu o Labormed. Liguei pra lá e a maravilhosa notícia: teste no valor de R$15,00, com resultado às 20h, pela internet! Lindo demais! Obrigada, Bá! A parte ruim é que a médica responsável pelo laboratório sentenciou: atraso de pelo menos 15 dias pra fazer o teste.

É tanta ansiedade na minha cabeça e no meu estômago, que eu já comecei a me questionar se meu atraso não é efeito da própria ansiedade. Eu nunca duvidei que estava grávida antes, mesmo que a prudência e a razão me fizessem dizer que só podia afirmar com o teste na mão. Mas agora eu tenho dúvidas, às vezes. Às vezes eu acho que estou. Várias pessoas que eu conheço dizem que acham que eu estou. Mas eu já não tenho tanta certeza...

Eu já estarei no meu período fértil novamente quando chegar a hora de fazer o teste e com toda essa ansiedade, tenho medo de atrapalhar o processo todo.

Torçam por mim, meu maior desafio será esquecer que estou esperando completarem os 15 dias de atraso, e pensar inclusive que não estou grávida pra quando chegar o período fértil pensar que estarei fazendo o bebê. Porque se der negativo no Beta, a segunda chance estará lá.

Ou isso, ou a monstra descer. Se ela descer, tudo estará resolvido e meu coração se aliviará. Tá tenso aqui. A pior parte é a espera pra saber, porque a espera pra parir você já sabe que vai parir. Mas não saber se é positivo ou negativo é terrível...

Torçam por mim.
Beijos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

[Naluh] Casa de parto no Rio de Janeiro realiza partos pelo SUS

Reprodução. "Oficina de Culinária" - Fonte: http://smsdc-casadeparto.blogspot.com.br/

Pelas minhas andanças, que já acontecem há algum tempo, à procura de informação sobre gestação, partos e afins, li muita coisa. Mas recentemente, inadvertidamente, me deparei com um vídeo no facebook de um grupo de grávidas fazendo uma apresentação de dança do ventre. O vídeo por si só já abre margem para um post - e debate - mas ali vi pela primeira vez o nome da Casa de Parto David Capistrano Filho.

O blog da Casa de Parto, inaugurada há dez anos, mostra um pouco das atividades que são realizadas lá, tais como chás com atividades diversas para as gestantes (desde oficina de culinária a apresentações de dança), encontros educativos e o melhor: eles praticam o parto humanizado. Não são médicos realizando o parto e sim enfermeiras obstetrizes. As mães das fotos estão todas com muito boa aparência, os quartos tem camas e não macas (não sei se todos), tem banheira, jardim pras mamães tomarem banho de sol com seus rebentos... Eu disse que isso era o melhor? Me enganei. O melhor ainda está por vir: é coberto pelo S.U.S.

A CP tem o apoio da Prefeitura do Rio e da Rede Otics Rio - Padre Miguel e parece não ser real, de tão incrível que parece, esse oásis de humanização no meio de tanta monetização do parto. Se eu tivesse que parir em algum lugar que não a minha casa, com certeza seria em um lugar assim. Lindo de viver. Pela primeira vez, em muito tempo, me empolguei de parir em algum lugar que não em casa...

É possível que seja necessário ser residente do município do Rio de Janeiro, eu não liguei pra lá ainda. Quando tiver mais informações, editarei esse post. Mesmo assim, fica a dica para as futuras mamães.

Saiba um pouco mais pela reportagem da Revista Crescer e da EBC Rádios.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

[Naluh] Estudando sobre maternidade

Como eu falei no primeiro post, quando eu comecei a ficar confusa com o desejo de ser mãe, eu comecei a estudar sobre maternidade. Li dezenas de artigos em sites nacionais e internacionais, fiz um curso de gestantes no site da Bebê.com.br, aprendi muita coisa. Muita coisa mesmo. Eu já sabia o que eram as contrações de Braxton Hicks e não estava nem perto de engravidar.

Quero compartilhar com vocês alguns sites e blogs que eu sigo e que me ajudaram muito a aprender sobre maternidade.

Blogs

enJOY it by Elise Blaha Cripe

Elise Blaha Cripe é uma designer que me ensinou muito sobre muita coisa, de crafts a como se preparar para ter um bebê. Ela é mãe da fofíssima Ellerie, de um ano e meio, que eu "conheci" desde o início. Foi muito legal acompanhar o processo. Quando a Elise foi ganhar a E, todos os seguidores sabiam e ficaram na expectativa. Ela avisou que tudo tinha corrido bem pelo twitter e foi muito legal a experiência. Ela mostra como faz as coisas pra filha e assim a gente vai aprendendo um pouco mais, todas as vezes. Esse ano ela compartilhou uma série de links com artigos que recomendava a leitura, e assim expandi meus horizontes um pouco mais. A maioria dos sites eu não me lembro mais, mas aconselho a exploração no blog da Elise.

Potencial Gestante

Blog da Luisa e do Hilan Diener, muito bacana. Comecei a ler o blog da Luisa quando o Benjamin era bem pequenininho. Dei uma desaparecida e quando voltei, a Constança já estava a caminho. A Luisa foi uma das pessoas responsáveis por me fazer estudar tudo sobre os partos domiciliares, já que a Sansa nasceu de um parto lindo, domiciliar planejado e assistido, e cujo relato você pode ler no blog. A Luisa é bem moleca e a linguagem dela é muito bacana. Eles também tem um canal do Youtube onde mostram cenas do cotidiano do Benjoca e da Sansa. Foi através deles que eu conheci a Família Moderna.

Manual da Familia Moderna

O Blog é comandado pela Tati Sabadini, que quando eu conheci era mãe apenas das gêmeas mais fofas que eu conheço: Maria e Bella. Estava grávida do Francisco (a.k.a. Fran-Chico) e acompanhar a história dessa família me ajudou muito. A Tati escreve sobre como viver e criar essas delícias e ao mesmo tempo sobre como cozinhar coisas saudáveis para essas delícias. Também sigo a Tati no Instagram, assim como a Luisa, e muitas das grandes lições vem de lá. Recomendo muito.

Sites

Bebê.com.br

O site da Bebê é um grande achado. Uma vez me recomendaram o da Pais e Filhos (que por sinal era uma revista em papel que eu gostava de ler quando era criança, rs), mas não achei tão legal quanto o da Bebê. Se você cadastrar o início da sua gravidez, ele vai contando com você e te mostrando artigos relevantes! Awesome! Também tem umas ferramentas muito legais, como numerologia, calculadoras e costumava ter uns blogs que eu li bastante. O Confessionário vale a visita, lá as mães falam de assuntos polêmicos sem medo e com experiência. Além disso tem o curso de gestante, oferecido por profissionais do Hospital Israelita Albert Einstein, em 21 vídeos que eu já vi, tenho o certificado (haha) mas vou ver de novo... Recomendo.

BabyCenter Brasil

O BabyCenter foi uma recomendação de uma amiga, e é muito bom! Também tem a timeline da gestação e muitos, muitos artigos úteis! Lá eu vi uma das coisas mais úteis de todos os tempos: uma galeria com um dossiê sobre cocô de recém nascido! Genial! Outra coisa bacana são os grupos (basicamente um fórum). As mães postam dúvidas e outras comentam ou respondem. Muito útil, aprendi várias coisas lá também.

E-familyNet (fórum)

Esse é o lugar. Aprendi quilos lá. De tudo, principalmente no fórum de tentantes. Por exemplo, se sei como identificar a minha ovulação, foi por causa desse fórum. O melhor lugar, sério. Se cadastrem. As usuárias lá usam aquelas barrinhas com contadores fofos de ovulação, de gestação, de crescimento do bebê. Aquele é o lugar. Corre e faz seu cadastro já.

Espero que tenham gostado das dicas. Até mais.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

[Naluh] Lidando com a ansiedade para fazer o teste

Imagem: http://biocelunicamp.wix.com/ppg#!galeria

Você foi lá, quando nasceu, fez os óvulos, seu marido foi lá, te doou os espermatozóides. Estão todos juntos no mesmo recinto, fazendo o que têm que fazer. Você quer saber o que está sendo feito lá, e como não dá pra olhar, baixa o aplicativo do Baby Center (que é muito bom por sinal), e fica vendo os gráficos e lendo os textos. Fica sondando seu corpo pra saber se vai sentir alguma coisa que indique que o danado do óvulo implantou. Porque se implantou é porque está fecundado. E, por mais que você queira, não dá pra saber se ele está fecundado até o momento dos testes. Dá pra sondar se vai ter dorzinha no ovário (que by the way eu tive no dia 2 de janeiro), se vai ter nidação, mas o problema todo é que eu acabei de entrar na terceira semana da hipotética gestação e é muito cedo pra qualquer coisa.

Quando completa uma semana da ovulação, você quer comprar o teste de farmácia, e vai pesquisar para saber o melhor momento para mijar no pauzinho. (Re)Encontra, então, o blog maravilhoso Trocando Fraldas e é chamada a razão: filha, o melhor momento para realizar os teste de farmácia é uma semana após o atraso da menstruação, sossega esse facho. "Mas... mas... mas... minha M está prevista pra chegar no dia 9 de janeiro e hoje ainda é dia 2 (era dia 2...)!!" Sossega porque esperar é o que você mais vai fazer daqui em diante. No final das contas, são só mais duas semanas. DUAS SEMANAS...

Senhor... Como é difícil esperar...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

[Naluh] A decisão de engravidar

Imagem por Jomphong - Freedigitalphotos.net
Engravidar ou não engravidar? Eis a questão.

Eu não queria filhos. Nunca quis. Quero dizer, quando eu era criança e adolescente eu quis. Queria dois pares de gêmeos. As meninas se chamariam Larissa e Melissa. Aí eu cresci. A ideia de parir, de ser responsável por um bebê/criança/adolescente era repulsiva, dizia que não tinha instinto maternal (e naquela época não tinha mesmo). Proferi discursos politizados sobre a quantidade de crianças órfãs no mundo e então, meus hormônios resolveram rir da minha cara.

No final de 2009 algumas pessoas próximas a mim pariram. E lutaram pra conseguir colocar o trem nos trilhos. Pra algumas tudo parecia difícil, outras não ligavam pra nada e, em meio a todo esse turbilhão, eu recebi um jorro de instinto maternal. E sofri como um cão. Eu não queria aqueles sentimentos mas não tinha escolha. Não dava para não sentir, e o "pior", querer. Comecei, então a estudar, lia tudo o que podia, fiz cadastros nos sites de maternidades, em fórum, vi trocentos videos de partos no You Tube, lia incessantemente. Acreditava que se eu vivesse a experiência através de outras mulheres, eu não precisaria passar por ela, acreditava que meu cérebro se contentaria. Ledo engano. Quanto mais eu lia, mais eu queria, e mesmo que eu não lesse não parava de querer. Estava muito enrascada. Chorei muito. Neguei muito.

Meu marido também não queria (mais) filhos. Ele tem uma filha de 23 anos que não pôde criar. Quando a reencontrou, aos 17 anos, ela veio no modo "kinder ovo". Eu amo minha enteada e acreditava que ela seria o mais próximo que teria de uma filha. Eu estava vivendo um drama secreto, com todo aquele desejo pela maternidade que não podia assumir, por orgulho, por medo, por tudo. Nunca tivemos condições financeiras que pudessem ser consideradas "confortáveis". Sempre ralamos muito, passamos por dificuldades, e quando eu lia quanto os especialistas diziam que custava um filho, eu surtava mais um pouquinho.

Demorou um pouquinho e nós, meu marido e eu, concordamos finalmente em engravidar. Isso foi no final de 2012 e planejamos para começar a tentar no início de 2013. Naquele ano eu prestei o ENEM, sem grandes esperanças, mas passei para História da UFF. Decidimos, então adiar para 2014 a inaguração da fábrica. Pois chegou em 2014 e nenhum de nós dois teve os colhões pra realmente dar o passo decisivo. Gente, que decisão difícil, essa a de engravidar! Tanta coisa em jogo: a liberdade, a individualidade, a faculdade, o relacionamento, o "sexo no chão da cozinha", as viagens dos sonhos e por outro lado, um desejo irracional e incontrolável de ter um filho. Uma coisa, entretanto, era certa: meu relógio daria o último tique-taque aos 30 anos. Essa é a minha deadline.

Então, ajustamos nossos ponteiros pra 2015. Mais seguros do que nunca - mentira -, mais apaixonados do que nunca pela ideia - verdade.

Um dos fatores fundamentais para toda essa paixão é a autobiografia do meu marido, que começou a ser escrita em 2009 também. Quando eu comecei a ler e conhecer o meu marido na infância, o desejo de ter um fedelho como aquele na barra da minha saia só crescia, em progressão geométrica e meu marido foi picado pelo mesmo bichinho: aquele que diz "quero um bebê na minha vida, será que será parecido com isso? Será que vai sentir assim, viver e ver assado?" Pronto. Estrago feito. Dois babões que decidiram que aconteça o que acontecer vamos fazer dar certo.

Às vezes eu ainda tenho uns surtos de insegurança. Minha vida parece tão legal pra eu abrir mão de tanta coisa por um bebê e, tipo, eu quero ser uma egiptóloga, isso inclui mestrado, doutorado e ainda faltam dois anos e meio pra eu me formar na graduação... Depois eu só lembro das coisas incríveis de se ter um bebê na vida, do arrependimento que terei (quase que certamente) se acabar não tendo esse bebê e repito comigo mesma: vamos fazer dar certo.

2015 é o ano. "Vamos fazer dar certo" é o meu mantra. Ao longo dos meses por vir vou falar de como planejamos fazer dar certo. Acreditamos que é possível criar um bebê com muito menos do que nos fazem crer que seja necessário, que dá pra ser feliz de formas autênticas e não ligadas à regras comportamentais ditadas por "terroristas da maternidade" e desprendido da realidade de consumo da sociedade capitalista. É um projeto de vida. Desejem-nos sorte.